cultureNo Brasil, a forma mais comum de investir em cultura é através das Leis de Incentivo, afinal o incentivo mais forte de todos é o econômico.

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As empresas investem em marketing cultural porque o custo é zero. Faz todo sentido do mundo ajudar o país e ainda ter contrapartidas de exposição da marca sem gastar nada. O recurso está a disposição de todos (pessoas físicas e jurídicas), esperando para ser usado.
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Outro resultado econômico palpável é o fato de que reforça a imagem corporativa o que significa mais negócios. É fundamental não só posicionar-se como sustentável, mas ser de fato cultural e socialmente engajado. O incentivador dos projetos culturais, esportivos e sociais ainda traz para si todos esses valores positivos.
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E finalmente, num mundo cada vez mais concorrido, é necessário se destacar da multidão. O investimento em cultura ajuda as empresas a diversificarem a sua comunicação de forma criativa e inusitada. Diferente da velha cartilha ou anúncio em revista e tv, faz muito mais sentido buscar o público alvo por interesse e afinidade. Produtos culturais podem ser usados como branded content e agregam valor ao invés de empurrar mercadoria.

Mas na verdade os argumentos mais importantes para se investir em cultura são muito mais nobres e transformadores. O impacto social que o investimento em cultura consegue produzir é tão abrangente que chega a ser impressionante!

Cultura promove

O consumo de produtos culturais como teatro, cinema, literatura, museus, música entre tantas outras manifestações promove:

  • Coesão social – a unidade de um povo através da integração de classes, da integração cultural e da inclusão de deficientes e de imigrantes;
  • Inovação e criatividade – compreensão da relevância social de novas ideias o que incentiva a criatividade pela auto-confiança para produzir a experimentação;
  • Educação – compreensão global do mundo em que estamos inseridos aumentando nossa capacidade de acumulo de conhecimento por nos dar ferramentas para correlacionar e acumular mais informações.
  • Saúde e Qualidade de vida – saúde psicológica, equilíbrio, prevenção de doenças,  sobrevida, coesão familiar. Neste quesito existem pesquisas fascinantes como a de Markku T. Hyyppa do Departamento de Saúde Finlandia em 2008. Sua pesquisa com 12.000 pessoas entre 16-74 anos acompanahdos por 9 anos detectou que pessoas que raramente frequentam atividades culturais tem uma mortalidade 3x mais alta. Ou a pesquisa de PierLuigi Sacco, professor de economia cultural na Universidade de Milão em 2015 observou um aumento de 52% para 65% na sobrevida do cancer quando além de 7 outras práticas saudáveis os pacientes consumiam produtos culturais.
  • Sustentabilidade – responsabilidade ambiental, economia e sociedade verde, pois pessoas com mais cultura são mais propensas a consumirem produtos ditos verdes mesmo sendo mais caros. Além disso promove a estabilidade populacional (migração), onde trabalhadores rurais permanecem no campo, pois conseguem aplicar tecnologia e inovação e planejamento estratégico em seus negócios.
  • Desenvolvimento econômico – através da inovação em todas as manifestações da economia criativa e da geração de empregos. Indústria criativa no Brasil representa 2,7% do PIB o que inclui 900mil profissionais, 251mil empresas. Os salários são o dobro da média do país que faz com que seja um setor maior que a indústria têxtil, farmacêutica e eletro-eletrônicos. Neste contexto a Lei Rouanet representa apenas 0,66% da renúncia fiscal em nível federal, estimada em R$ 271 bilhões este ano, R$ 1.8 bilhões para a cultura.
  • Comunicação e interação – através de linguagens, comportamentos e crenças. Promove também a comunicação de tradições e costumes para as novas gerações garantindo um legado para o futuro.
  • Mudanças no comportamento social – através da maior capacidade de ação, da retenção da identidade, da modificação de valores e da modificação das preferências individuais que se voltam para escolhas coletivas e bem social. Isso incentiva comunidades mais integradas e maior participação cívica. Em momentos de crise moral e ética no país, esta talvez seja um dos mais importantes impactos que a cultura tem.

Ao percebermos a abrangência do impacto da cultura fica claro que é um investimento que compartilha muitas outras áreas sociais como a saúde ou o desenvolvimento tecnológico. Reservar um pouco de verba para a cultura significa impacto amplo e duradouro na sociedade como um todo.

Mas não podemos esquecer que a indústria criativa é, em ultima análise, uma indústria. Não é caridade. Os investidores precisam de uma quantificação em termos de custos de retorno de mídia, ou número de pessoas impactadas. Quem investe quer algo em troca mesmo que seja apenas impacto social positivo. Em tudo o que se faz é necessário medir, verificar, e comprovar resultados. É preciso entender o impacto para poder repetir e aprimorar resultados.

Com todos estes argumentos, o que estamos esperando para investir e apoiar produtores culturais?

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